A história de Daniela. O poliamor

Cada vez mais se vêm casais a desafiar as regras sociais e a viver estilos de vida alternativos no que diz respeito ao amor e sexo.

Daniela enquadra-se neste grupo de jovens que decidiu experimentar um novo conceito mesmo quando este não é muito bem aceite na sociedade onde vive.

Daniela, de 24 anos, conta como tudo começou, as dificuldades que enfrentou e como decidiu agir daqui para a frente

Isto foi uma coisa que foi acontecendo. Não começou de um dia para o outro muito menos com um pedido de namoro. Eu estudo fora da minha terra Natal e por isso vivi os últimos anos em quartos arrendados. Um dia, eu e dois amigos juntamo-nos e alugamos uma casa, pensando poupar algum dinheiro necessário para a faculdade. Passados uns meses comecei a namorar com o Rui, um dos meus colegas de casa. O Rui não era o típico namorado. Éramos muito independentes e isso não me incomodava nada. Durante o dia, ele ia à sua vida e eu a minha. Não havia muitos telefonemas muita intimidade, era uma relação mais sexual. À noite encontrávamo-nos em casa, fazíamos sexo, mas jantávamos com o João também, o meu outro companheiro de casa. Uma noite fizemos um jantar e bebemos demasiado. Foi a típica noite parva de jovens estudantes que se decidiram embriagar só porque lhes apeteceu. Comecei aos amassos com o Rui mesmo à frente do João e a coisa começou a aquecer. Sem troca de palavras o Rui deu-me o seu consentimento para me envolver com o João.

Aconteceu tudo muito depressa e de forma muito pouco consciente pois não estávamos bem em nós. Adormecemos os três na cama. A manhã seguinte é que foi estranha. Deixei os dois homens levantar-se tentando perceber o que ia acontecer. Mas não aconteceu nada, cada um fez a sua vida normal como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Levantaram-se e foram para a faculdade. Eu fiquei ali, meio aparvalhada com tudo mas ainda excitada por ter estado com dois homens bem atraentes. Nessa noite perguntei ao Rui se queria terminar, depois do que se tinha passado. Ele respondeu que não, que não havia razão para isso. Tinha sido uma aventura e ele não se tinha importado. Fiquei um bocadinho espantada mas aceitei. Afinal de contas estava a adorar aquilo.

A partir dali anoite de copos repetiu-se mas sem a parte dos copos. Era sexo sóbrio e consciente. Uns dias estava com o Rui, outros com o João e por vezes com os dois. Mas vou admitir que havia situações em que era estranho. Se me pediam para levar o namorado a um jantar, eu às tantas nem sabia quem era na verdade o meu namorado se é que algum o era.. Até que decidi falar com os dois e tentar perceber o que esperar dali. Tanto um como outro não era ciumento e ambos gostavam de mim. Decidimos viver esta aventura até onde desse, até surgirem os primeiros problemas de qualquer relação. Nenhum era o namorado oficial agora mas ambos eram.. Publicamente decidimos apresentar-nos como solteiros e amigos até decidirmos o que fazer. Às vezes saímos os 3. Vamos jantar, vamos ao cinema. Devo confessar que não me sinto estranha, diferente ou com medo do que aí venha. Até agora está a ser uma das melhores experiências da minha vida e estranhamente, os tais problemas da relação não apareceram ainda. Já lã vão 2 anos. Sinto-me mais apaixonada talvez por ser uma situação diferente e eu ter aquele medo constante de os perder ou talvez por passar menos tempo com uma pessoa apenas. Até agora só sei que não há razão nenhuma para as pessoas não terem relações íntimas a dois, três ou mais. E eu tenciono continuar.

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